Quantas teclas precisa um piano digital
A contagem de teclas é a primeira pergunta de quem vai comprar, e quase nunca é a mais importante. Ela define até onde a sua mão alcança. Quem define o que o seu dedo aprende é a ação, ou seja, o mecanismo que fica debaixo de cada tecla. Dois aparelhos com a mesma contagem podem ser instrumentos diferentes por dentro.
Em oitavas, a conta é simples. Um teclado de 61 fecha cinco oitavas cravadas. Um de 76 chega a seis oitavas mais quatro notas. Um de 88 cobre sete oitavas e um quarto, que é a extensão do piano acústico moderno: a Korg publica essa faixa como lá0 até dó8 na ficha do B2.
As fichas abertas para esta página foram quatro pianos digitais de 88 teclas com martelo, um de cada marca, mais as fichas de 61 e de 76 teclas das mesmas fabricantes. As quatro de 88 declaram o nome da ação na tabela de especificação, e três delas têm página em português do Brasil. A quarta publica só em inglês, e onde isso acontece o texto avisa.
Passo a passo
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Saiba o que cabe em 61, em 76 e em 88 teclas
Com 61 teclas você tem cinco oitavas, e é nelas que mora quase toda canção popular tocada com acorde na esquerda e melodia na direita. Com 76 teclas entram mais uma oitava e quatro notas, o que resolve arranjo de choro, de MPB e boa parte da música de igreja sem apertar as pontas. Com 88 teclas você tem o instrumento inteiro, e a diferença aparece exatamente no repertório clássico escrito para piano, que desce abaixo do dó grave de um teclado de cinco oitavas e sobe até o topo no final de muita peça. A regra prática é essa: quanto mais o repertório for partitura de piano, menos você pode tirar teclas. Quanto mais for acorde cifrado, menos as teclas dos extremos fazem falta.
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A ação da tecla muda mais o instrumento do que a contagem
Existem três famílias de ação, e elas não se misturam. A sintetizada não tem peso e volta por mola, e é a do teclado portátil comum. A semi-pesada acrescenta resistência ao dedo sem mecanismo de martelo dentro. O martelo graduado coloca um peso físico em cada tecla e o distribui ao longo do teclado, mais pesado na região grave e mais leve na aguda, imitando a construção do acústico. Cada fabricante batiza o seu: a Yamaha publica GHC, de Graded Hammer Compact, na ficha do P-145, e usava GHS, de Graded Hammer Standard, na geração anterior da mesma série; a Casio nomeia Smart Scaled Hammer Action Keyboard no Privia PX-S1100; a Roland publica PHA-4 Standard no FP-30X, com escapamento e acabamento Ivory Feel; a Korg publica NH, sigla de Natural Weighted Hammer Action, no B2, e só em inglês. Procure a sigla na tabela antes de acreditar na palavra pesado escrita no anúncio da loja, porque anúncio não é ficha.
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Confira se existe sensibilidade ao toque, porque há ficha que diz não
Sensibilidade ao toque, também chamada de velocity, é o instrumento variar o volume conforme a força do dedo. Sem ela, a nota sai sempre igual, e você não consegue estudar nada de dinâmica: pianíssimo e fortíssimo viram a mesma coisa. Isso trava o estudo desde a primeira aula, e é independente da contagem de teclas. Nos quatro pianos de 88 teclas consultados o recurso existe e é regulável: cinco níveis no PX-S1100, quatro posições nomeadas como Hard, Medium, Soft e Fixed no P-145, cinco tipos no FP-30X e três no B2. Nos modelos de 61 teclas a história muda: a ficha do Yamaha PSR-F52 traz a linha e escreve que não tem, e a do Casio CT-S200 nem traz a linha, enquanto o CT-S300 da mesma família publica dois níveis mais desligado.
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Entenda a polifonia e o que o pedal faz com ela
Polifonia é o teto de notas que o instrumento consegue segurar soando ao mesmo tempo. O engano comum é achar que dez dedos pedem dez vozes. Quando você pisa no pedal de sustain, nenhuma nota é desligada, e tudo o que você tocou continua ocupando uma voz até o som sumir sozinho; em passagem de arpejo com pedal, uma frase curta já empilha dezenas. Timbre em camada, como piano mais cordas, consome o dobro, porque cada nota aciona duas vozes. Nas fichas consultadas de 88 teclas os números publicados são 64 no P-145, 120 no B2, 192 no PX-S1100 e 256 no FP-30X, enquanto os modelos de 61 teclas das mesmas marcas ficam entre 32 e 48. Para estudo com pedal, número baixo de polifonia corta nota no meio da frase, e é uma limitação que nenhuma configuração resolve.
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Reconheça quando 61 teclas bastam de verdade
Existe caso em que a contagem menor é a escolha certa, e não o remendo. Criança pequena não alcança 1,32 m de teclado sentada, e um instrumento de 930 mm fica proporcional ao corpo dela e à mesa da casa. Quem mora em apartamento pequeno e vai guardar o instrumento embaixo da cama tem um limite de espaço que não negocia. Quem carrega o teclado toda semana para a igreja, para a escola ou para a casa de alguém sente a diferença entre 3,3 kg e 11 kg no primeiro trajeto. E quem vai tocar música popular cantando por cima usa cinco oitavas e sobra. Nesses quatro casos, gaste a atenção na sensibilidade ao toque, que é o recurso que mais falta nessa faixa, em vez de brigar pela contagem.
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Trate 88 teclas com martelo como móvel, não como objeto de mesa
O mecanismo de martelo é peso de verdade, e a ficha entrega isso em duas linhas. O Yamaha P-145 publica 1.326 mm de largura e 11,1 kg. O Casio Privia PX-S1100 publica 1.322 mm de largura, 232 mm de profundidade e 11,2 kg. O Roland FP-30X publica 1.300 mm de largura, 284 mm de profundidade e 14,8 kg com a estante de partitura. O Korg B2 publica 1.312 x 336 x 117 mm e 11,4 kg, e publica isso só em inglês. Compare com o Yamaha PSR-EW425, de 76 teclas e sem martelo, que pesa 8,3 kg: a contagem cai pouco e o peso cai bastante, porque o que pesa é o mecanismo, não a tecla a mais. Antes de fechar a compra, meça a parede, meça o vão embaixo da janela e confira se a mesa aguenta 1,3 m de instrumento, porque nenhum desses aparelhos sai do lugar sozinho.
Dicas
- Some 5 cm de folga de cada lado da largura publicada. Nenhuma das fichas inclui a estante de partitura nem os cabos na medida do gabinete.
- Se a aula for de piano com método e partitura, procure a sigla da ação antes da contagem. Um instrumento de 88 teclas sem martelo treina o alcance e não treina o dedo.
- Peso da tecla e sensibilidade ao toque são coisas separadas na ficha e aparecem em linhas diferentes. Dá para ter uma sem a outra, nos dois sentidos.
- Quem já tem um teclado de 61 teclas e quer só ampliar o alcance pode trabalhar com a função de transposição por enquanto. Ela move a região tocada, mas não devolve as notas que faltam.
- Quando a ficha publica a faixa de notas, como lá0 a dó8, ela está dizendo mais do que a contagem: dois instrumentos de 76 teclas podem começar e terminar em notas diferentes.
- Ficha internacional não vale como ficha daqui. Medida e peso costumam bater, mas garantia e lista do que vem na caixa mudam de país para país, e a Korg não publica página brasileira do B2.
Erros comuns a evitar
- Escolher pela contagem e ignorar a ação. As três famílias de mecanismo cabem todas em 88 teclas, e o anúncio raramente separa uma da outra.
- Aceitar a palavra pesado vinda da descrição da loja. Só vale a sigla publicada pelo fabricante em tabela, como GHC, PHA-4 Standard, NH ou Smart Scaled Hammer Action Keyboard.
- Comprar sem sensibilidade ao toque para economizar. Há ficha de 61 teclas que declara textualmente que o recurso não existe, e sem ele não se estuda dinâmica nenhuma.
- Ler polifonia alta como excesso de recurso. Com pedal pisado e timbre em camada, o número cai rápido, e a nota cortada no meio da frase é o sintoma.
- Medir só a largura e esquecer a profundidade. Entre os modelos de 88 teclas consultados, a profundidade publicada vai de 232 mm a 336 mm, e é ela que decide se cabe na mesa.
- Encarar 76 teclas como um 88 menor. Nas fichas consultadas, os modelos de 76 teclas não trazem mecanismo de martelo, então você perde o peso da tecla junto com as notas.
Perguntas frequentes
88 teclas são mesmo necessárias para estudar piano?
Para repertório clássico escrito para piano, costumam ser, porque a partitura usa os extremos do instrumento. Para método de música popular, cinco oitavas seguram o começo por bastante tempo. Vale lembrar que o que mais pesa na técnica é a ação da tecla, não a contagem: um instrumento de 88 teclas sem martelo não treina o dedo para o acústico.
O que quer dizer martelo graduado?
Quer dizer que o peso do mecanismo não é igual em todo o teclado: é maior na região grave e menor na aguda, seguindo o que acontece no piano acústico, onde a corda grave é mais pesada. As marcas publicam isso com sigla própria. A Yamaha usa GHC e GHS, a Casio escreve Smart Scaled Hammer Action Keyboard no PX-S1100, a Roland publica PHA-4 Standard no FP-30X e a Korg publica NH no B2.
Escola de música e prova prática exigem 88 teclas?
Costumam pedir isso, e o motivo é o repertório cobrado, que usa a extensão inteira. Nenhum edital ou norma institucional foi localizado publicando essa exigência com todas as letras, então trate como recomendação do meio e não como regra escrita. Se você presta uma prova específica, peça o programa por escrito à instituição antes de comprar.
Qual polifonia é suficiente?
Depende de quanto pedal você usa e se toca com timbres sobrepostos. Entre os pianos de 88 teclas consultados, os números publicados são 64, 120, 192 e 256. Os modelos de 61 teclas das mesmas marcas ficam entre 32 e 48. Quem estuda com pedal sente falta na faixa baixa, porque cada nota sustentada continua ocupando uma voz.
Quanto pesa e quanto mede um piano digital de 88 teclas?
Nas quatro fichas abertas, a largura fica entre 1.300 mm e 1.326 mm e o peso entre 11,1 kg e 14,8 kg, este último já contando a estante de partitura. A profundidade varia mais, de 232 mm a 336 mm. É móvel de sala, e não um objeto que você tira e guarda a cada estudo.
Conclusão
Se o plano é estudar piano com partitura, o caminho é 88 teclas com martelo graduado, e a sigla da ação tem de estar publicada na tabela do fabricante. Se o plano é tocar canção cantando por cima, 61 teclas resolvem, e o recurso que você precisa garantir ali é a sensibilidade ao toque, que várias fichas dessa faixa declaram ausente.
As 76 teclas ficam no meio e servem a quem quer mais alcance sem virar móvel, desde que você aceite que, nas fichas consultadas, elas vêm sem mecanismo de martelo. É uma troca de alcance, não de toque.
Antes de fechar, faça duas contas. A primeira é de espaço: largura entre 1.300 mm e 1.326 mm nos modelos de 88 teclas, com profundidade de 232 mm a 336 mm. A segunda é de uso: se o instrumento vai sair de casa toda semana, os 11 kg ou mais do martelo decidem a compra antes de qualquer especificação de tecla.
Redação Villa-Lobos
Time que escreve o Villa-Lobos. Partimos da ficha que o fabricante publica sobre cada instrumento e a comparamos com o relato de quem já comprou, para dizer a quem serve cada modelo e o que muda quando o músico passa do primeiro instrumento para o segundo.
Como a Redação trabalhaAtualizado em 22/set
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