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Como ler a ficha de um violão

Atualizado em 21/set

Ler a ficha de um violão é mais difícil do que deveria, e não por culpa de quem lê. A mesma palavra significa coisas diferentes em marcas diferentes, a unidade às vezes está errada no rótulo, e os três números que de fato decidem se o instrumento é tocável quase nunca aparecem.

Abrimos a página oficial de 13 marcas de violão de entrada vendidas no Brasil. Doze ainda têm site no ar. Dessas doze, 5 publicam o comprimento de escala em campo próprio, 5 dizem se o tampo do modelo mais barato é maciço ou laminado, 2 publicam o raio do braço e uma única publica a altura das cordas que sai de fábrica.

Este guia percorre a ficha campo a campo, explica o que cada um quer dizer, mostra onde as marcas se contradizem e ensina o que fazer quando o dado simplesmente não existe. A ausência é a informação mais importante deste nicho.

Passo a passo

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    Comece pela palavra escala, que significa duas coisas

    É a armadilha número um. Em Yamaha, Giannini e Fender, escala quer dizer o comprimento útil da corda, medido da pestana ao cavalete, e vem em milímetros: 650 mm, 643 mm. Em Di Giorgio, Seizi, Michael e Vogga, escala quer dizer a madeira do espelho do braço, e o campo traz coisas como Pau Ferro, Technical Wood ou Blackwood. Mesma palavra, dado completamente diferente. Antes de comparar dois violões, veja se os dois campos estão falando da mesma coisa.

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    Confira a unidade, porque ela erra mais do que parece

    A Di Giorgio rotula o campo como ESCALA (CM) e publica o valor 640, que são 640 mm, ou 64 cm. Quem copia o rótulo publica 640 cm, um violão de seis metros e meio. O distribuidor que publica as fichas da Takamine no Brasil escreve 64,2 cm e, entre parênteses, 25.5 polegadas, e os dois números não batem: 25,5 polegadas são 64,77 cm. Numa das fichas o typo vira 64,2 m. Quando os dois valores se contradizem, o que costuma bater é o valor em centímetro.

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    Desconfie de campo que junta três dados

    A Tagima publica o braço numa linha só, que mistura o material do espelho, o perfil do braço e a medida. E repete 25,5 polegadas em toda a linha de nylon, sendo que 25,5 polegadas é medida de violão de aço: clássico de tamanho inteiro tem 650 mm, ou 25,6 polegadas. Um campo assim não serve para comparar, porque não dá para saber qual parte é do modelo e qual parte veio colada do catálogo.

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    Procure a palavra maciço, e leia o silêncio quando ela não estiver lá

    Tampo maciço é uma peça inteira de madeira; laminado é madeira colada em camadas. Em violão de entrada, laminado é a regra, e isso é esperado. O que vale observar é quem diz. Cinco marcas das doze escrevem maciço ou laminado no modelo de entrada. Outras três sabem usar a palavra e escolhem não usá-la ali: a Yamaha escreve Solid Spruce no modelo caro e apenas Spruce no barato; a Giannini escreve Maple maciço para a escala e apenas Linden para o tampo do mesmo violão; a Takamine escreve Solid Cedar num modelo e apenas Mahogany no de entrada. Quando a marca demonstra que conhece a palavra e a omite, a leitura honesta é que não é maciço.

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    Aceite que ação e raio não estarão lá

    Ação é a altura das cordas em relação ao braço, e raio é a curvatura do espelho. São os dois números que mais decidem se um violão é confortável, e são os que quase ninguém publica. Ação: uma marca em doze, e ainda assim como escolha no carrinho, com três alturas em vez de uma especificação. Raio: duas em doze, e nenhuma delas brasileira. Isso significa que a ficha, mesmo completa, não responde à pergunta mais importante. Trate a regulagem com luthier como parte do custo, não como conserto.

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    Verifique quem assina a ficha

    Nem toda página oficial é do fabricante. As fichas da Strinberg são publicadas por uma distribuidora que nunca se declara dona da marca, e o endereço strinberg.com.br redireciona para um anúncio de venda de domínio. As fichas da Takamine no Brasil também vêm da distribuidora, e discordam do fabricante: o site da marca diz Mahogany onde o distribuidor diz Sapele Laminado, no mesmo modelo. Os dois estão certos à sua maneira, porque um usa o nome comercial e o outro o nome botânico, e só um diz que é laminado.

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    Cheque se o modelo ainda existe

    Muita ficha que aparece no buscador já não existe no site. Três modelos de uma marca respondem normalmente e começam a descrição com a palavra descontinuado, enquanto o distribuidor brasileiro segue vendendo um deles com ficha ativa. Outra marca perdeu do catálogo os dois modelos de violão mais citados em listas antigas, e as URLs devolvem erro em todos os idiomas. Antes de usar um número, confirme que a página que o publica é a página atual do modelo.

Dicas

Erros comuns a evitar

Perguntas frequentes

Qual dado eu devo procurar primeiro na ficha de um violão?

A largura da pestana e o comprimento de escala, nessa ordem, porque são os que mais mudam o conforto e os que ainda aparecem em parte das fichas. Depois, o tipo de encordoamento, que precisa ser lido no campo e não no nome do modelo.

Por que tão poucas marcas publicam a altura das cordas?

Porque a ação sai de fábrica com variação grande e muda com o transporte, a umidade e o tempo. Publicar um número cria obrigação. Uma única marca das doze levantadas enfrenta isso, e ainda assim transformando a altura em opção de compra, com três alturas.

Tampo laminado é ruim?

Não para começar, e é o que se espera na faixa de entrada. O problema não é o laminado, é o silêncio: metade das marcas não diz qual é o caso, inclusive marcas que usam a palavra maciço nos modelos mais caros.

Posso confiar na ficha publicada pelo distribuidor?

Com ressalva, e dizendo que é do distribuidor. Em um dos casos levantados, o distribuidor é nomeado pela própria fábrica e publica mais dado que ela, inclusive a palavra laminado que o fabricante omite. Em outro, o distribuidor publica as fichas de uma marca sem nunca se declarar titular dela.

O que fazer quando o dado não existe em ficha nenhuma?

Escrever que não existe. É o que fazemos aqui: quando o dado central de uma categoria não é publicado por quase ninguém, dizemos quantos publicam e ensinamos a decidir sem ele. Preencher a tabela com o que sobrou é pior do que deixar o campo vazio.

Conclusão

A ficha de um violão de entrada responde menos do que promete. Escala aparece em 5 das 12 marcas, tampo maciço ou laminado em 5, raio em 2 e ação em 1.

Isso não torna a ficha inútil. Torna a leitura mais exigente: conferir se a palavra escala é medida ou madeira, checar a unidade, desconfiar de campo que junta três dados, ver quem assina a página e confirmar que o modelo ainda está no catálogo.

E torna obrigatório assumir o que falta. Nenhum número de ficha vai dizer se aquele violão específico chega tocável na sua mão, porque o dado que responderia isso é justamente o que não se publica. Por isso a regulagem entra na conta desde o começo.

Redação Villa-Lobos

Time que escreve o Villa-Lobos. Partimos da ficha que o fabricante publica sobre cada instrumento e a comparamos com o relato de quem já comprou, para dizer a quem serve cada modelo e o que muda quando o músico passa do primeiro instrumento para o segundo.

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Atualizado em 21/set

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