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Violão de nylon ou de aço: qual escolher para começar

Atualizado em 21/set

Para começar, corda de nylon é mais macia e machuca menos o dedo, e corda de aço tem volume maior e é o padrão de canção com palheta. Mas a escolha não para aí: nylon e aço vêm em violões com braços de largura diferente, e essa diferença chega a quase 1 cm. Escolher a corda é, na prática, escolher também o braço.

O detalhe que quase ninguém conta é que a mesma marca costuma vender o mesmo violão nas duas versões. Na Giannini, o Start N-14 e o Start S-14 têm o mesmo corpo e o mesmo braço, e a única diferença é o encordoamento. A letra do código avisa: N é náilon, S é aço.

Este guia usa só o que os fabricantes publicam. Levantamos 13 marcas de violão de entrada vendidas no Brasil; 12 têm página no ar, e das 12 apenas 5 publicam o comprimento de escala e apenas 5 dizem se o tampo do modelo mais barato é maciço ou laminado. Onde a ficha cala, o texto diz que ela cala.

Passo a passo

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    Decida pelo dedo antes de decidir pelo som

    Corda de nylon tem tensão menor e superfície mais macia. Corda de aço é mais fina e mais dura, e nas primeiras semanas marca mais a ponta do dedo de quem nunca tocou. Isso não é opinião: é a diferença de material. Quem estuda sozinho e sem prazo costuma desistir na fase do calo, e por isso o nylon é a recomendação mais comum para o primeiro instrumento. Se você já sabe que quer tocar canção com palheta, o aço encurta o caminho, e vale escolher bitola fina: a Giannini publica .010 no Start S-14, e a Yamaha publica .012 a .053 no F310.

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    Olhe a largura da pestana, que é onde a escolha se paga

    A pestana é a peça no topo do braço por onde as cordas passam, e a largura dela decide o conforto da mão esquerda. Violão de nylon tem pestana larga: a Yamaha publica 52 mm na série C, e a Di Giorgio publica 51,5 mm no Estudante 18. Violão de aço tem pestana estreita: a Strinberg publica 43 mm, e a própria Di Giorgio publica 43 mm no F101, saído da mesma fábrica. São 8,5 mm de diferença dentro da mesma marca. Pestana larga separa as cordas e ajuda no dedilhado; pestana estreita facilita o acorde com palheta e a pestana com o dedo indicador.

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    Confira o comprimento de escala, se a marca publicar

    Escala é a distância entre a pestana e o cavalete, e define a distância entre as casas. Violão clássico adulto costuma ter 650 mm, que é o que Yamaha e Giannini publicam. Violão de aço costuma ficar um pouco mais curto: a Fender publica 643 mm, e a Di Giorgio publica 640 mm. Só que 5 marcas de 12 publicam esse número em campo próprio. Nas outras, ou não existe campo, ou a palavra escala aparece seguida de um nome de madeira, porque para elas escala quer dizer o material do espelho do braço.

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    Desconfie do nome comercial e leia o campo do encordoamento

    Existe violão anunciado pelo próprio fabricante como clássico e que vem com corda de aço. A Michael descreve o VM15S como violão clássico acústico e, duas linhas abaixo, informa encordoamento de aço na bitola .011 a .052. A Vogga faz o mesmo no VCA101N. Se você procura clássico porque ouviu dizer que dói menos no dedo, esse é exatamente o produto errado, e a culpa é da nomenclatura de quem vende. Procure sempre o campo do encordoamento, não o nome do modelo.

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    Some a regulagem ao custo, porque a ficha não traz a ação

    Ação é a altura das cordas em relação ao braço, e é ela que decide se o violão é tocável ou se machuca, mais do que o material da corda. Das 12 marcas levantadas, uma única publica esse número, e ainda assim como opção no momento da compra, com três alturas. Nenhuma marca brasileira publica o raio do braço. Na prática, dois violões com ficha idêntica podem chegar diferentes na sua mão. Reserve uma regulagem com luthier depois da compra e trate isso como parte do custo do primeiro instrumento, não como conserto.

Dicas

Erros comuns a evitar

Perguntas frequentes

Corda de nylon dói menos mesmo?

Sim, pela tensão menor e pela superfície mais macia. Não é questão de gosto: é a diferença física entre os dois materiais. O calo se forma de qualquer jeito, mas com nylon o processo costuma ser menos desconfortável.

Posso trocar a corda de aço por nylon no mesmo violão?

Não sem cuidado. O violão é construído para a tensão de um tipo de corda, e o cavalete e o braço mudam entre os dois. Colocar aço num violão de nylon é o erro mais grave da lista. O caminho seguro é comprar o instrumento já com o encordoamento que você quer.

Qual a largura de braço ideal para quem está começando?

Depende da mão e do que você vai tocar. Os 52 mm publicados pela Yamaha na série de nylon dão espaço para dedilhar. Os 43 mm publicados pela Strinberg e pela Di Giorgio na linha de aço facilitam o acorde com palheta. Quem vem da guitarra costuma estranhar os 52 mm.

O que é escala 650 mm?

É o comprimento útil da corda, da pestana até o cavalete, e é a medida cheia de um violão clássico adulto. Yamaha e Giannini publicam 650 mm nos modelos de nylon desta faixa. Nos violões de aço a medida costuma ser um pouco menor, como os 643 mm da Fender e os 640 mm da Di Giorgio.

Preciso levar o violão novo ao luthier?

É o mais prudente. A altura das cordas praticamente não é publicada: das 12 marcas levantadas, só uma informa esse número. Uma regulagem simples resolve a maior parte das queixas de violão que machuca ou que trasteja, e sai mais barata do que trocar de instrumento.

Conclusão

Nylon para quem está começando do zero e quer sofrer menos no dedo. Aço para quem já sabe que quer tocar canção com palheta e aceita algumas semanas de calo.

Mas leve a largura do braço junto na decisão, porque ela vem casada com o tipo de corda e muda quase 1 cm entre um extremo e outro. E confira sempre o campo do encordoamento na ficha, não o nome do modelo: existe violão vendido como clássico que sai de fábrica com corda de aço, dito pelo próprio fabricante.

Seja qual for a escolha, reserve uma regulagem. É a única parte deste processo que nenhum fabricante resolve por você, e a que mais muda o instrumento que chega na sua mão.

Redação Villa-Lobos

Time que escreve o Villa-Lobos. Partimos da ficha que o fabricante publica sobre cada instrumento e a comparamos com o relato de quem já comprou, para dizer a quem serve cada modelo e o que muda quando o músico passa do primeiro instrumento para o segundo.

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Atualizado em 21/set

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